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Roberto Corrêa

 

 

 

"Logo na primeira vez que vi a viola, senti que minha missão seria levâ-la para o mundo". Roberto Corrêa se apaixonou pelo instrumento à primeira vista, uma paixão forte, a ponto de superar outro amor: a Física. Ele é obrigado a dar aulas sobre "a ciência das coisas naturais" para sustentar os carinhos que dá à "ciência da viola". Aos 40 anos, ele pode ser considerado um "erudito" deste instrumento tão popular. Pesquisou de forma intensa as afinações e as histórias mágicas que envolvem o mundo da viola. Lançou o livro "Viola Caipira" , trabalho apoiado pelo CNPq, e está elaborando "Escola Tradicional de Viola Caipira", um método que trará partituras, tablaturas e fita cassete. Roberto Corrêa tem seis discos lançados, mas dois deles merecem destaque especial: Uróboro (1994) e Crisálida (199G). Ambos instrumentais, no primeiro o violeiro viaja por suas composições enquanto no segundo passeia por clássicos como "Tristeza do Jeca", "Asa Branca", "Odeon", "Tico-Tico no Fubá". Também realizou um disco com Inezita Barroso, Voz e Viola.



Corrêa conseguiu abrir novos campos para a viola, sem fazer com que ela perdesse sua majestade. Ampliou seu universo harmônico. "As pessoas falavam que o instrumento era limitado e tive que provar que não era". Para isso , chegava a estudar dez horas por dia e assumiu a viola como seu único universo de expressão. "A viola é um mundo livre, porque não existe referências e possui vários estilos para tocâ-la no Brasil", afirma. Nascido em Campina Verde e hoje morando em Brasilia, a viola faz parte de seu sangue. O bisavô, Damião Corrêa da Silva era respeitado e chamado de "capitão de folia de reis".

Roberto despertou para o instrumento sozinho. Primeiro, começou no violão e gostava de grupos de rock como Deep Purple, Yes e Gênesis. Só depois é que começou a pesquisar a música de sua terra. Autodidata, observava o que os outros violeiros faziam. Hoje, a afinação que mais utiliza é a Cebolão em D.

Com sua viola, fabricada por Vergílio Lima, e uma viola de cocho (instrumento típico do pantanal matogrossense), Corrêa já excursionou pela Europa, Ásia, América central e do Sul. Gravou um cd Viola Caipira Brasil série "Traditional Music of The Word". Da Unesco/Alemanha. Mostra, assim, que está chegando perto do objetivo citado no primeiro parágrafo. "Aprendi com o mundo e tenho que retribuir", Concorda.