GALOPADA ( Almir Sater )
Morena do meu apreço
Desconheço o que é cansaço
Feito nuvem de poeira
Apareço e me desfaço
Atrás do seu endereço
Que na carta veio errado
E viro o mundo pelo avesso
Morena dos meus pecados
Na fogueira do seu beijo
Eu me queimo de bom grado
Se foi tão bom no varejo
Imagino no atacado morena
Que nem caneta em mão inspirada
Vai deslizando igual queda d'água
Açoitando o vento eu vou seguir
Nesta galopada
Morena do meu apego
Logo chego em seu pedaço
Quero em sua cabeceira
Reservar o meu espaço
Pra viagem ser ligeira
Traço léguas num compasso
E só encontro o meu sossego
Morena no seu abraço
Pra ter mais desse chamego
Que me deixa enfeitiçado
Crio asas de morcego
E vou voando pro seu lado morena
Que nem cometa em noite estrelada
Meu pensamento vai comendo estrada
Cavalgando o tempo a prosseguir
Nesta galopada