TRAVESSIA DO ARAGUAIA (Dino Franco - Decio dos Santos) Naquele estradão deserto Uma boiada descia, "Pras" bandas do Araguaia Para fazer a travessia. O capataz era um velho De muita sabedoria, As ordens eram severas E a peonada obedecia. O ponteiro moço novo Muito desembaraçado, Mas era a primeira viagem Que fazia nesses lados. Não conhecia os tormentos Do Araguaia afamado, Não sabia que as piranhas Eram um perigo danado. Ao chegarem na barranca Disse o velho ao boiadeiro, Derrubemos um boi n' água Deu a ordem ao ponteiro. Enquanto as piranhas comem Temos que passar ligeiro, Toque logo este boi velho Que vale pouco dinheiro. Era um boi de aspa larga Já roído pelos anos, O coitado não sabia Do seu destino tirano. Sangrando por ferroadas No Araguaia foi entrando, As piranhas vieram loucas E o boi foram devorando. Enquanto o pobre boi velho Ia sendo devorado, A boiada foi nadando E saiu do outro lado. Naquelas verdes pastagens Tudo estava sossegado, Disse o velho ao ponteiro Pode ficar descansado. O ponteiro revoltado Disse que barbaridade, Sacrificar um boi velho Pra que esta crueldade. Respondeu o boiadeiro Aprenda esta verdade, - Que Jesus também morreu
"Pra" salvar a humanidade