Quando o som da viola me bate na alma, sinto o cheiro das magueiras lá de casa, em Campo Grande quando era menino. O cheiro das damas da noite quando chegava de madrugada. O som da viola tem o cheiro da minha infância. É assim que diz Almir Sáter, um dos violeiro de maior reconhecimento nacional, define a representação da viola em sua vida. Desde os cincos anos de idade, Almir ouvia pelo rádio as modas de Viola de Tião Carreiro e Pardinho, Tonico e Tinoco e Délio e Délinha. Ficava fascinado com o ponteio das violas , recorda-se.
De uma família musical, seu avô árabe, tocava instrumentos típicos nas reuniões entre família , ainda na infância estudou piano e sanfona, e iniciou em instrumento de corda em um banjo, trocado depois por um violão folk, atraído pelo som do encordoamento de aço. Apesar dos laços estreitos de sua infância com o ambiente oficial da viola, na região central de Brasil, Almir foi pego pela magia do instrumento no Rio de Janeiro, durante uma festa nordestina no Lago do Machado. "Estava escrito que eu seria violeiro" ,diz .
Ás influencias que se somava a musica sertaneja em sua técnica foi a polca, guarânia e chama-mé, as "pulsações" das fronteiras do Paraguai e Bolívia. Almir começou a chamar a atenção do publico em geral depois da música "luzero" depois de ser escolhida para abertura do programa TV Globo Rural. O disco de estréia também agradou Almir. "Os harmônicos parecem sintetizados. Descobri de verdade a dimensão do som da viola". Depois do convite de Sérgio Reis para participar de Pantanal, "Chalana, regravação feita para uma cena da novela, deu a Almir Sáter uma posição de destaque no mundo da viola, tornando invulneravelmente o porta-voz de todo um universo esquecido e riquíssimo.
A consagração, no entanto veio acompanhada de uma cobrança de alguém muito peculiar, "A musica é possessivel e ciumenta, quando terminei a novela, os dedos não me obedeciam, me deu um branco". Respeitando as características original da musica sertaneja, Almer segue buscando a simplicidade em seus trabalhos. Em instrumental dois, usou uma miniatura de violão com o bortão E afinado em B. O próximo disco com o nome provisório de caminhos me levam, foi gravado em sua casa na companhia do irmão Rodrigo Sáter e do norte americano Emil Silver. "é como se estivéssemos escrevendo a lápis na época do computador, o disco novo tem esse jeito", define Almir que utilizou uma viola especialmente fabricada pela Di Giorgio. Em relação a religiosidade no tratamento dos violeiros coma a viola, Almir comete o que pode-se chamar de heresia entre os músicos do instrumento. "O melhor som da viola que consegui foi um Ovation, ai está a magia da viola..." , revela.